Leitura de CFO · Fluxo de caixa + sistema de vendas

A operação virou.
Agora é provar que sustenta.

Diagnóstico financeiro Jan–Mai 2026. O primeiro trimestre arrancou no vermelho; o segundo entregou a alavancagem que a tese previa — margem de 5% para 41%, CAC por venda caindo até 62%, custo comercial de 52% para 18% da receita. Esta leitura mostra a eficiência comparada e o que cada cenário pede daqui pra frente.

Margem 5,3% → 41,5% Receita +331%/mês Q2 operacional positivo 65 vendas · R$ 916k contratado
LIV Energia SolarLeitura financeira · jun 2026
01A virada do trimestreQ1 (Jan–Mar) vs Q2 (Abr–Mai) · base caixa
Q1 · arranque · 3 meses
5,33%
margem de contribuição · estrutura rodando sem volume
Receita caixa (méd/mês)R$ 23.551
Resultado operacional– R$ 52.463
Anúncios / receita30,4%
Pessoal / receita50,3%
Q2 · alavancagem · 2 meses
41,46%
margem de contribuição · volume diluiu o custo fixo
Receita caixa (méd/mês)R$ 101.562
Resultado operacional+ R$ 3.638
Anúncios / receita8,0%
Pessoal / receita23,9%
Receita caixa média/mês
R$ 101,6k
vs R$ 23,6k no Q1
+331%
Custo comercial / receita
17,8%
vs 52,0% no Q1
–34 p.p.
Verba de mídia Meta / mês
R$ 7,0k
vs R$ 6,2k no Q1 · gasto subiu
+14% verba
Resultado operacional %
+1,8%
vs –74,3% no Q1
+76 p.p.
A leitura: isso é alavancagem operacional, não corte de gasto

A receita quase quadruplicou por mês (R$ 23,6k → R$ 101,6k) com a verba de mídia praticamente estável — R$ 6,2k → R$ 7,0k/mês no Meta, um aumento de só 14%. Cada real de anúncio passou a trazer muito mais venda: a eficiência veio de conversão e volume diluindo o custo fixo, não de cortar investimento. O Q2 provou que a tese do modelo funciona quando há tração.

02Eficiência comparadaCada real de receita custou menos no Q2
IndicadorQ1Q2Δ
Margem de contribuição5,33%41,46%+36,1 p.p.
Custos operacionais / receita94,67%58,54%–36,1 p.p.
Despesas operacionais / receita79,59%39,67%–39,9 p.p.
Anúncios / receita30,36%8,04%–22,3 p.p.
Custos comerciais / receita52,03%17,75%–34,3 p.p.
Pessoal / receita50,30%23,93%–26,4 p.p.
Resultado operacional–74,3%+1,79%+76,1 p.p.
Onde foi cada real de receita
Participação de custos e despesas sobre a receita — Q1 vs Q2
CAC — três definições, com verba real puxada do Meta
Custo de aquisição por venda · Q1 (Jan–Mar) vs Q2 (Abr–Mai) · "mídia" = gasto real da conta Meta da LIV (act_859606976869812)
DefiniçãoQ1Q2Δ
Mídia Meta ÷ vendas de tráfego (15 / 30)R$ 1.230R$ 468–62%
Mídia Meta ÷ vendas totais (25 / 40)R$ 738R$ 351–52%
Comercial cheio ÷ vendas totais (mídia + comissão + visita)R$ 1.470R$ 901–39%
A verba real do Meta não bate com a do relatório

O gasto real no Meta foi R$ 18.454 (Q1) e R$ 14.023 (Q2). O relatório lança a linha "anúncios" em R$ 21.450 e R$ 16.327 — cerca de R$ 3k e R$ 2,3k a mais. A diferença é provável Google Ads (em expansão) ou tempo de pagamento. O CAC de "comercial cheio" usa o custo comercial do relatório, que captura toda a mídia paga; os dois primeiros usam só o Meta. Confirmar com o Yuri o que entra em "anúncios".

Faturamento por competência — a trajetória real do negócio
O que foi vendido em cada mês, independente de quando entrou no caixa. Maio quase 6x janeiro.
03De onde vêm as vendasSistema de vendas · 65 vendas · Jan–Mai
Tráfego vs indicação vs externo
Participação por canal no valor contratado (R$ 915.975)
Tráfego pago45 vendas · R$ 662k · 72%
Indicação13 vendas · R$ 154k · 17%
Externo (porta a porta)6 vendas · R$ 82k · 9%
Sem fonte registrada1 venda · R$ 18k · 2%
Tráfego escala, indicação não acompanha
Vendas por canal, mês a mês — o tráfego puxa, a indicação não cresce com a operação
A força e o ponto de atenção no mesmo dado

O tráfego é o motor — 72% da receita e o único canal que escala (2 → 4 → 9 → 12 → 18 vendas/mês). É força: mídia eficiente, CAC caindo. O ponto de atenção é a dependência: a indicação está parada em 13 vendas e perdeu participação (33% em março → 15% em maio). Numa empresa de "decisão segura", o boca a boca devia ser ativo composto. Ativar a indicação a partir do pós-venda é a alavanca de demanda que não depende de pagar mais ao Meta.

04O próximo marco: break-even de caixaCiclo Sol Fácil 50/50 · liquidez ~60% no mês
Break-even contábil
R$ 84.975
custo fixo ÷ margem 40%
Break-even de caixa real
R$ 141.625
com liquidez de 60% no mês
Maio · melhor mês
R$ 130.107
a 8% do break-even de caixa
faltam R$ 11,5k
Recebíveis entrando jun–jul
R$ 132.889
cobre ~4 meses de custo fixo
Por que o break-even de caixa é quase o dobro do contábil

~80% das vendas passam pela Sol Fácil no ciclo 50% na aprovação + 50% após instalação. Só ~60% da receita gerada entra no mês corrente. Maio já encostou no marco (faltaram R$ 11,5k) — junho, com R$ 132.889 de recebíveis confirmados, deve cruzá-lo. O objetivo de curto prazo é sustentar o caixa operacional positivo sem aporte por 60–90 dias.

05Três cenários daqui pra frenteFaturamento por competência · mês representativo
Pessimista
R$ 130k
faturamento/mês · regressão ao patamar de abril
Margem de contribuição36%
MC em R$R$ 46,8k
Estrutura (opex)R$ 40,0k
Vendas/mês~10
+ R$ 6,8k
resultado operacional · 5,2% — no caixa volta a apertar
Realista
R$ 185k
faturamento/mês · sustenta o patamar de maio
Margem de contribuição40%
MC em R$R$ 74,0k
Estrutura (opex)R$ 37,0k
Vendas/mês~17
+ R$ 37,0k
resultado operacional · 20% — caixa positivo, sem aporte
Otimista
R$ 250k
faturamento/mês · PME + indicação destravam
Margem de contribuição42%
MC em R$R$ 105,0k
Estrutura (opex)R$ 38,0k
Vendas/mês~24
+ R$ 67,0k
resultado operacional · 26,8% — constrói reserva
Histórico de faturamento + projeção dos três cenários
Realizado Jan–Mai (competência) e a faixa projetada para jun–ago
A premissa que decide qual cenário vira realidade

A diferença entre o pessimista e o realista não está na venda — está na disciplina de estrutura. O Q2 rodou ~R$ 40k/mês de despesa; a projeção realista assume R$ 37k. Se a estrutura inchar com o volume (como no Q1, com rescisões e software a 9% da receita), o resultado escorrega para o pessimista mesmo vendendo bem. Crescer receita sem deixar o opex acompanhar é o jogo do segundo semestre.

Veredito do CFO

A LIV saiu do vermelho de arranque e provou a tese de alavancagem. O foco agora é blindar a margem e firmar o caixa operacional — não acelerar verba às cegas.

O Q2 é uma virada legítima: margem 8x maior, CAC de mídia 62% menor por venda, custo comercial caindo de 52% para 18% da receita. A trajetória de competência (R$ 31k → R$ 181k) mostra tração comercial real. O cenário realista (+R$ 37k/mês operacional) é alcançável já no Q3 se a estrutura não inchar e a indicação começar a puxar junto com o tráfego.

Duas alavancas seguram o cenário no realista ou melhor: (1) disciplina de opex — manter a despesa perto de R$ 37k enquanto a receita cresce; (2) diversificar demanda — ativar indicação e PME pra reduzir a dependência de 72% em tráfego pago. Nenhuma das duas pede capital novo.

Antes de cravar metas: reconciliar a régua de faturamento. O relatório usa competência (R$ 434k); o sistema registra R$ 916k em valor de contrato nas mesmas 65 vendas (ratio ~47%, variável mês a mês). Confirmar com o Yuri se competência já é a receita líquida da LIV — isso define se as metas de faturamento estão na base certa.  ·  Sinal de que erramos: precisar de aporte em jun/jul mesmo com R$ 132,9k de recebíveis entrando.