Diagnóstico financeiro Jan–Mai 2026. O primeiro trimestre arrancou no vermelho; o segundo entregou a alavancagem que a tese previa — margem de 5% para 41%, CAC por venda caindo até 62%, custo comercial de 52% para 18% da receita. Esta leitura mostra a eficiência comparada e o que cada cenário pede daqui pra frente.
A receita quase quadruplicou por mês (R$ 23,6k → R$ 101,6k) com a verba de mídia praticamente estável — R$ 6,2k → R$ 7,0k/mês no Meta, um aumento de só 14%. Cada real de anúncio passou a trazer muito mais venda: a eficiência veio de conversão e volume diluindo o custo fixo, não de cortar investimento. O Q2 provou que a tese do modelo funciona quando há tração.
| Indicador | Q1 | Q2 | Δ |
|---|---|---|---|
| Margem de contribuição | 5,33% | 41,46% | +36,1 p.p. |
| Custos operacionais / receita | 94,67% | 58,54% | –36,1 p.p. |
| Despesas operacionais / receita | 79,59% | 39,67% | –39,9 p.p. |
| Anúncios / receita | 30,36% | 8,04% | –22,3 p.p. |
| Custos comerciais / receita | 52,03% | 17,75% | –34,3 p.p. |
| Pessoal / receita | 50,30% | 23,93% | –26,4 p.p. |
| Resultado operacional | –74,3% | +1,79% | +76,1 p.p. |
| Definição | Q1 | Q2 | Δ |
|---|---|---|---|
| Mídia Meta ÷ vendas de tráfego (15 / 30) | R$ 1.230 | R$ 468 | –62% |
| Mídia Meta ÷ vendas totais (25 / 40) | R$ 738 | R$ 351 | –52% |
| Comercial cheio ÷ vendas totais (mídia + comissão + visita) | R$ 1.470 | R$ 901 | –39% |
O gasto real no Meta foi R$ 18.454 (Q1) e R$ 14.023 (Q2). O relatório lança a linha "anúncios" em R$ 21.450 e R$ 16.327 — cerca de R$ 3k e R$ 2,3k a mais. A diferença é provável Google Ads (em expansão) ou tempo de pagamento. O CAC de "comercial cheio" usa o custo comercial do relatório, que captura toda a mídia paga; os dois primeiros usam só o Meta. Confirmar com o Yuri o que entra em "anúncios".
O tráfego é o motor — 72% da receita e o único canal que escala (2 → 4 → 9 → 12 → 18 vendas/mês). É força: mídia eficiente, CAC caindo. O ponto de atenção é a dependência: a indicação está parada em 13 vendas e perdeu participação (33% em março → 15% em maio). Numa empresa de "decisão segura", o boca a boca devia ser ativo composto. Ativar a indicação a partir do pós-venda é a alavanca de demanda que não depende de pagar mais ao Meta.
~80% das vendas passam pela Sol Fácil no ciclo 50% na aprovação + 50% após instalação. Só ~60% da receita gerada entra no mês corrente. Maio já encostou no marco (faltaram R$ 11,5k) — junho, com R$ 132.889 de recebíveis confirmados, deve cruzá-lo. O objetivo de curto prazo é sustentar o caixa operacional positivo sem aporte por 60–90 dias.
A diferença entre o pessimista e o realista não está na venda — está na disciplina de estrutura. O Q2 rodou ~R$ 40k/mês de despesa; a projeção realista assume R$ 37k. Se a estrutura inchar com o volume (como no Q1, com rescisões e software a 9% da receita), o resultado escorrega para o pessimista mesmo vendendo bem. Crescer receita sem deixar o opex acompanhar é o jogo do segundo semestre.
O Q2 é uma virada legítima: margem 8x maior, CAC de mídia 62% menor por venda, custo comercial caindo de 52% para 18% da receita. A trajetória de competência (R$ 31k → R$ 181k) mostra tração comercial real. O cenário realista (+R$ 37k/mês operacional) é alcançável já no Q3 se a estrutura não inchar e a indicação começar a puxar junto com o tráfego.
Duas alavancas seguram o cenário no realista ou melhor: (1) disciplina de opex — manter a despesa perto de R$ 37k enquanto a receita cresce; (2) diversificar demanda — ativar indicação e PME pra reduzir a dependência de 72% em tráfego pago. Nenhuma das duas pede capital novo.